casulos; vivre sa vie.

 A palavra 'deus'; você é deus, oh ser consciente,    despertem, se tudo pode ser minha realidade, como posso distingui-la das fantasias que vêm apenas a fim de me prender? Faber est suae quisque fortunae.                Acredito tanto nas minhas mentiras que muitas vezes não sei dizer o que é real, e isso é totalmente minha culpa, mas eu já estou tão acostumada a fingir, afinal, começar a atuar antes dos seus um ano de vida faz com que as linhas entre fingir e agir sejam turvas. Eu durmo tarde e acordo cedo para rostos desconhecidos e penso em qual história eu poderia criar para cada um deles, até que os rostos desconhecidos se repitam com mais frequência e agora suas histórias são tantas que já nem sei mais o que eu inventei no início de tudo - já tentei várias vezes quebrar esse hábito, mas a performance já é uma parte tão fundamental de mim, e acho que no fundo não tenho certeza se estou pronta para abandoná-la, acho que de todas as mentiras essa seja a mais difícil de acreditar.




Ultimamente ando vendo tantos filmes preto e branco que, quando acordo com as cores, tenho a vontade de chorar até soluçar. Não quero dar os últimos beijos de despedida ao inverno, mas já sinto a primavera abraçando minhas costelas. Nunca fui boa com despedidas, me sinto ébria de emoções sempre que me encontro com elas. Recentemente ando falando demais, meus amigos dizem que sou saudosista, mas como não ser quando, toda interação que eu tenho, eu já sinto saudades das pessoas que eu realmente amo? É difícil gastar palavras com pessoas que não sentem paixão pelas mínimas coisas: um bom filme, uma foto tirada, um poema armênio sobre morte e casulos. Eu passei todo meu ensino médio em um grupo tão particular que qualquer interação com outras pessoas me faz sentir falta do quão esquisitos nós somos! Qu'il en soit, eu sinto falta do sentimentalismo, das palavras carregadas, de sentir que uma conversa simples sempre vai carregar um significado maior no fundo - como uma conversa de piscina que acaba em todas as cartas que trocamos, oh deus, as cartas, que saudades das cartas! Acho que não tenho para onde correr. A saudade é uma parte tão fundamental para mim quanto mentir (performar).  


Viver minha vida esse ano esta sendo definitivamente algo que eu nunca imaginaria (ate por que sejamos sinceros eu sobrevivi mais do que eu ja achei que fosse algum dia), releio meus diarios e sinto que fui mais pessoas esse ano na mesma medida que nao fui ninguem nos anos anteriores. claro que o sentimento de nao saber se sou um cadaver, uma garota ou um casulo tambem esteve (ainda e) presente varias vezes, mas nao do jeito que costumava ser (ou como costumava me afetar), realmente fake till you make funciona, essa e a liçao de moral, acho que e isso que quero dizer quando falo somos todos um deus, se voce acreditar fielmente em algo ele nao tem como nao se realizar: por isso mentiras sao tao reais quanto sao inventadas. eu anotei uma vez com uma caneta roxa e letras maiusculas 'O ESPIRITO E VOCE A CARNE E VOCE, BEBA DO VENENO VOLTE A SER POEIRA''   e acho que eu mesma so entendi meses depois que naquele momento eu so queria sensaçao de estar viva                            e aqui ela esta             do seu jeito desconfortavel e simultaneamente gratificante, sentir demais e viver no final das contas. quero dizer provavelmente - afinal mudo mais de opniao do que minto.    Enfim.                         Que nessa primavera os figos sejam mais doces e os morangos mais azedos e tudo que eu peço se realize no final.



    Acreditariam, se eu dissesse aos homens que nascemos 
Tristemente, humanos e morremos, flor?
Acreditariam ser a nossa vida, vontade consciente de não ser?
E ser luz e estrela, água, flor.
BALADA DE ALZIRA V.


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