pela mesma janela do onibus
Manhã cedo — Sou uma construção de tudo que eu trabalho para ser, meus esforços não foram em vão, eu percebi enquanto o cheiro de protetor solar infesta o quarto. A raposa parece satisfeita, estamos em sincronia finalmente, não mais brigando com garras, dentes e sangue pelo mesmo receptáculo. Não estou falando que vai permanecer assim para sempre - ambos sabemos que não existe paz harmoniosa que o defeituoso humano não quebre. Pelo menos é bom. É bom não precisar estar sempre em guarda, não precisar estar com a mão acima do canivete, esperando a criatura de dentes afiados e garras enormes morder meu pescoço e o jogar fora. Chega a ser tranquilizante, finalmente, depois de todo esse tempo, na mesma medida em que é assustador ter que lutar contra o medo de estilhaçar o espelho frágil que reflete os dois. Menina/raposa/humano/selvagem/animal/animal. Sei que devo aproveitar, oh deus tudo que eu fiz foi para poder aproveitra, toda essa luta e para ter a chance de apro...